sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Caixa prevê aumento de 37% no salário anual de vices

 Carla Araújo, Murilo Rodrigues Alves e Felipe Frazão
A Caixa prevê aumentar em 37% o salário anual de seus vice-presidentes em 2018. A remuneração total de cada um dos 12 executivos pode chegar a R$ 87.398,94 mensais, se acumulados os limites máximos dos honorários, mais ganhos por metas e desempenho pessoal - que são variáveis - e benefícios. No período anterior, foi de R$ 63.548,63. O último reajuste dos bancários foi de 2,75%, um pouco abaixo da inflação do ano passado, que foi de 2,95%.
O plano do banco de aumentar a remuneração dos vice-presidentes coincide com um momento complicado para a instituição financeira. Nesta semana, quatro executivos foram afastados por suspeita de corrupção e outras irregularidades. Depois de anos como líder na concessão de crédito no País, a Caixa precisa de dinheiro para não descumprir regras bancárias internacionais. O banco contava com um aporte de R$ 15 bilhões do FGTS para se adequar - o que não deve ocorrer depois do escândalo envolvendo os executivos.
Os quatro vice-presidentes afastados são acusados de vazamento de informações privilegiadas para políticos sobre o andamento de pedidos de empréstimos e também de negociar cargo em uma estatal como moeda de troca para liberação de crédito. Os cargos de vice-presidentes na Caixa costumam entrar no rol de negociações do governo com a base aliada em busca de apoio.
O banco prevê gastar R$ 12,5 milhões com salários e benefícios dos executivos entre abril de 2017 e março de 2018. No período anterior, os vices receberam R$ 9,1 milhões. A informação está em um relatório do comitê de remuneração, que é responsável por elaborar a proposta de gastos de pessoal que o conselho de administração do banco submete ao ministro da Fazenda.
"A remuneração dos executivos tem que ter coerência com o momento atual do banco e com o aumento dos salários que foi dado aos funcionários", disse Maria Rita Serrano, representante dos empregados no conselho de administração da Caixa.
O novo reajuste foi aprovado na assembleia geral do banco, de 14 de dezembro de 2017, mas ainda precisa do aval do conselho de administração (em sua maioria formado por representantes da Fazenda), que se reúne na semana que vem para deliberar sobre o tema, e do próprio ministro da Fazenda.
Em nota, a Caixa informou que não houve aumento nos salários dos executivos e que a projeção para a remuneração deste ano leva em conta a quantidade de ocupantes nos cargos e também o atingimento de metas e avaliação de desempenho individual dos gestores na parte variável do salário. De acordo com o banco estatal, os quatro vice-presidentes afastados vão continuar recebendo salários até serem exonerados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
fonte: http://atarde.uol.com.br/economia/noticias/1929063-caixa-preve-aumento-de-37-no-salario-anual-de-vices

Sindicato questiona exigência de CPA-20 para gerentes de carteira

Caixa alega que cobrança, com prazo até 31 de janeiro, é voltada para alta renda, mas denúncias dão conta de que todos os gerentes de carteira estão sendo pressionados e ameaçados de descomissionamento; bancários nessa situação devem procurar o Sindicato
  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 19/01/2018 17:45 / Atualizado em 19/01/2018 17:51
Foto: Seeb-SP
São Paulo – Por meio de ofício enviado à Contraf-CUT, a Caixa informou que estabeleceu prazo limite de 31 de janeiro para validação das certificações em CPA-10/20. O banco alega que a exigência de CPA 10 ou CPA 20 varia de acordo com o público-alvo atendido pelo empregado: CPA-20 para clientes de alta renda e CPA-10 para o restante dos clientes. Entretanto, o Sindicato recebeu denúncias de que o banco tem exigido o CPA-20 para todos os gerentes de carteira, o que não ocorre nos demais bancos.  
No ofício, o banco informa que 200 trabalhadores não “conseguiram realizar a inscrição para as provas de certificação CPA 10/20, neste mês de janeiro/2018”, acrescentando que a Caixa é auditada no primeiro quadrimestre e, caso sejam identificados bancários sem a certificação exigida pela instituição, pode ser autuada, sofrendo as devidas penalidades. Porém, não detalha quantos não possuem CPA-10 e quantos não possuem CPA-20.
“A exigência de CPA-20 para todos os gerentes de carteira é uma arbitrariedade da gestão. Não é prática dos demais bancos. No nosso entendimento, isso faz parte do escopo da reestruturação da rede, chamada pela Caixa de verticalização. É mais uma estratégia, dentre tantas outras, para viabilizar o descomissionamento em massa. É mais um ataque direto aos empregados do banco público”, critica o diretor do Sindicato e coordenador da CEE/Caixa, Dionísio Reis.
“O ofício não detalha quantos são os empregados sem o CPA-10 e quantos não possuem o CPA-20. Cobramos um esclarecimento nesse sentido, o fim imediato do descomissionamento arbitrário e a ampliação do prazo para a validação das certificações, uma vez que o banco faz uma exigência acima do que todo o sistema financeiro pratica, ameaçando a carreira dos trabalhadores”, acrescenta.
Procure o Sindicato – Todos os gerentes cobrados pelo banco quanto à certificação de CPA-20 devem entrar em contato com o Sindicato. Para isso, basta preencher o formulário disponibilizado no final da matéria. A entidade averiguará cada caso, entrando em contato com os empregados. O sigilo é garantido. 
fonte: http://spbancarios.com.br/01/2018/sindicato-questiona-exigencia-de-cpa-20-para-gerentes-de-carteira

Bancários de São Paulo participam do dia de luta em defesa do BB

Funcionários do banco público realizaram paralisações em agências e locais de trabalho na região da Avenida Paulista na sexta-feira; carta aberta foi distribuída à população
  • Danilo Motta, Redação Spbancarios
  • Publicado em 19/01/2018 16:13 / Atualizado em 19/01/2018 16:24
Bancários do BB ocuparam o saguão do prédio onde fica a Disud
Foto: Seeb-SP
São Paulo – Bancários realizaram, na manhã da sexta-feira 19, paralisações e ocupações na região da Avenida Paulista contra o desmonte do Banco do Brasil promovido pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Dirigentes sindicais entregaram carta aberta à população em defesa dos bancos públicos e exigiram respeito à categoria e à população (clique aqui e baixe o seu exemplar).
A mobilização foi parte do dia nacional de luta em defesa do banco público. Em São Paulo, foram fechadas a Superintendência da Capital, que cuida da área negocial do BB; a Superintendência Administrativa, prefixo que o banco criou para centralizar na Diretoria de Distribuição Sudeste (Disud) a parte administrativa da Superintendência; além de agências no eixo da Avenida Paulista.
“A reestruturação do BB ceifou vagas em várias superintendências, vários colegas perderam comissão e alguns tiveram de vir para São Paulo, com prejuízo de mudar de local, deixar a família, ter um custo de vida muito maior”, ressalta João Fukunaga, representante na Comissão de Empresa e secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato.
Cadê a negociação?  No início da tarde, os bancários ocuparam o saguão do prédio da Disud, onde se encontrava o presidente do BB, Paulo Caffarelli. O grupo exigia a abertura do diálogo entre a direção do banco e os trabalhadores. A administração do condomínio, por sua vez, acionou a Polícia Militar para retirar os bancários do local.
“A gente vai continuar em luta não só para defender o Banco do Brasil dessa reestruturação, mas também pela derrubada da reforma trabalhista, que tanto prejudica os trabalhadores. Precisamos da participação de todos para que nossa luta seja fortalecida e nenhum direito seja retirado dos trabalhadores”, lembra Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato.
“É um dia nacional de luta contra a reestruturação que o BB implementou e mira o desmonte do banco. O processo dos escritórios digitais foi acelerado em velocidade maior que dos bancos privados, de forma a ceifar vagas dos gerentes personalizados, assistentes, escriturários e caixas. Muitos dos gerentes personalizados serão realocados para um lugar distante que é o Centro Empresarial São Paulo (Cenesp). Esse movimento de centralização prejudica o atendimento à população. O Banco do Brasil é público, é de toda a sociedade”, reforça Fukunaga.
Diálogo – Além das paralisações, os dirigentes também realizaram reuniões com os bancários em seus locais de trabalho para tirar dúvidas e esclarecer quanto aos malefícios desta nova reestruturação do BB, anunciada em janeiro.
“Estamos conversando com os colegas que estão sendo afetados por essa última reestruturação. Eles migrarão para o Cenesp, concorrerão a novas vagas, e as agências daqui ficarão com três ou quatro funcionários em média”, denuncia Fernanda Lopes, dirigente do Sindicato e bancária do BB.
“Apesar de a diretoria do banco dizer que esse atual programa de readequação de cargos será maravilhoso, a realidade é diferente, e isso está gerando muita insatisfação dos bancários”, acrescenta o dirigente Antonio Netto.
fonte: http://spbancarios.com.br/01/2018/bancarios-de-sao-paulo-participam-do-dia-de-luta-em-defesa-do-bb

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Ataque aos bancos públicos: governo inicia nova etapa da reestruturação no Banco do Brasil

Banco, que já fechou centenas de agências em 2016 e dispensou mais de 10 mil empregados, fará novos cortes e realocações

O governo Temer não desiste de privatizar tudo quanto for possível, e investe pesado contra os bancos públicos. Depois de uma longa batalha para que a Caixa não se tornasse S/A, em 2017, os golpistas abrem o novo ano com artilharia pesada contra o Banco do Brasil que, desde o final de 2016, vem sofrendo profundas mudanças responsáveis pelo fechamento de centenas de agências e mais de 10 mil dispensas.
“Os bancos públicos são essenciais para o desenvolvimento do Brasil. São instituições que administram dezenas de programas em setores como educação, saúde, moradia... Elas têm como meta um papel social, e não apenas o lucro, e precisam continuar assim. Defender o BB e demais bancos públicos é também defender o Brasil e seu povo”, aponta a coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Rita Serrano.  
Além disso, destaca Rita, há uma campanha orquestrada pela grande imprensa que tenta desqualificar as estatais e seus trabalhadores. “Falam de corrupção como se só existisse na empresa pública, e classificam os cargos como ´cabides de emprego´, sem levar em conta que a maioria dos empregados foi aprovada em concurso: na Caixa, por exemplo, a quase totalidade dos 87 mil empregados é concursada, pois só 20 podem ser indicados de fora”, aponta, lembrando editorial desta sexta publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo, que defende cortes nas estatais em nome da “eficiência”. “É um desserviço da imprensa, que não esclarece devidamente os fatos e toma o partido do governo golpista”, avalia.
BB
No caso específico do BB, o governo acaba de anunciar uma segunda fase em sua reestruturação que prevê a criação de novas funções, realocação de funcionários e mais um plano de desligamento incentivado cujo público-alvo poderá ultrapassar 8 mil trabalhadores. O banco também lançou o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), por meio do qual pretende transferir seus funcionários, inclusive de forma compulsória.
“O banco diz que não é uma nova reestruturação, mas é. Houve o corte de cerca de mil vagas de caixa em todo o País. Os escritórios digitais perderam funções de assistentes e ganharam de escriturários, que farão os mesmos serviços ganhando menos. É desvio de função. É ilegal”, aponta Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa de Funcionários do Banco do Brasil (CEBB).
Amparadas na reforma trabalhista, as mudanças não só apostam no desmonte da instituição como na precarização dos direitos dos funcionários. Quem aderir ao desligamento incentivado (ou consensual), por exemplo, recebe só metade do aviso prévio e 80% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Não terá direito ao seguro-desemprego e nem poderá acionar futuramente a empresa na Justiça cobrando direitos trabalhistas, (como horas extras, por exemplo), estando inclusive impossibilitado de recorrer à Comissão de Conciliação Prévia (CCP).
O BB é uma empresa de economia mista, com 54% das ações nas mãos da União. É um dos principais financiadores do crédito agrícola no País. Além disso, administra os repasses a programas como o Fundo Nacional de Saúde, Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
O início de seu processo de reestruturação foi anunciado em novembro de 2016. O chamado plano de “reorganização institucional” incluía o fechamento de 402 agências e a transformação de outras 379 em postos de atendimento (PA). Mas, de acordo com estudo realizado pelo Dieese que comparou o primeiro semestre de 2016 ao de 2017, o saldo de agências fechadas em 12 meses no BB foi superior ao número anunciado, chegando a 543. Também nos pontos da rede própria houve redução de 1.083 unidades no período.
O mesmo estudo também revelou que o banco reduziu de 109.615 para 99.603 o número de funcionários no período. À época, foi criado o Plano Especial de Aposentadoria Incentivada (Peai), que teve a adesão de 9.409 até 31 de dezembro de 2016. No total, foram eliminados 10.012 postos.
Fonte: Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas

Reforma da Previdência ignora 426 bilhões devidos por empresas ao INSS

 
 

Enquanto propõe que o brasileiro trabalhe por mais tempo para se aposentar, a reforma da Previdência Social ignora os R$ 426 bilhões que não são repassados pelas empresas ao INSS. O valor da dívida equivale a três vezes o chamado déficit da Previdência em 2016. Esses números, levantados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), não são levados em conta na reforma do governo Michel Temer.
“O governo fala muito de déficit na Previdência, mas não leva em conta que o problema da inadimplência e do não repasse das contribuições previdenciárias ajudam a aumentá-lo. As contribuições não pagas ou questionadas na Justiça deveriam ser consideradas [na reforma]”, afirma Achilles Frias, presidente do Sindicado dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz). A maior parte dessa dívida está concentrada na mão de poucas empresas que estão ativas. Somente 3% das companhias respondem por mais de 63% da dívida previdenciária. A procuradoria estudou e classificou essas 32.224 empresas que mais devem, e constatou que apenas 18% são extintas. A grande maioria, ou 82%, são ativas.
Na lista das empresas devedoras da Previdência, há gigantes como Bradesco, Caixa Econômica Federal, Marfrig, JBS (dona de marcas como Friboi e Swift) e Vale. Apenas essas empresas juntas devem R$ 3,9 bilhões, segundo valores atualizados em dezembro do ano passado.
A Repórter Brasil entrou em contato com essas empresas para entender quais são os pontos em desacordo. O Bradesco afirma que não comenta processos judiciais. A JBS diz que está negociando a dívida com a Receita Federal.
A Marfrig afirma, em nota, que discute judicialmente a possibilidade de compensação de débitos previdenciários com créditos relativos ao PIS e a COFINS e que negociou o parcelamento da dívida. A Vale informa que possui questionamentos judiciais referentes às contribuições previdenciárias e que ofereceu garantias da dívida, o que a permite estar em ‘regularidade fiscal’. A Caixa Econômica Federal não se pronunciou.
Parte da dívida não pode ser recuperada
Apesar da maior parte das empresas devedoras estarem na ativa, no topo da lista há também grandes companhias falidas há anos, como as aéreas Varig e Vasp. Por isso, nem toda a dívida pode ser recuperada. É provável que quase 60% do valor devido nunca chegue aos cofres do INSS – ou porque são de empresas falidas, em processo de falência, tradicionais sonegadoras ou laranjas.
Apenas R$ 10,3 bilhões (4% do montante da dívida) têm alta probabilidade de recuperação, segundo estudo da procuradoria divulgado em março do ano passado. Do classificado à época, referente à R$ 375 bilhões de dívidas, constatou-se que 38% têm média chance de recuperação; 28% tem baixa chance e 30% tem chances remotas (veja detalhes no quadro abaixo).
A prova disso é que o percentual de recuperação é baixo. Em 2016, a procuradoria recuperou apenas R$ 4,15 bilhões dos créditos previdenciários, o equivalente a 0,9% da dívida previdenciária total.
Apesar disso, a procuradoria diz tomar medidas para recuperar esse valor. “Estamos num momento em que sempre se ronda o aumento da carga tributária, e a PGFN entende que o verdadeiro ajuste fiscal é cobrar de quem deve para não onerar quem paga,” diz Daniel de Saboia Xavier, coordenador-geral de grandes devedores da procuradoria.
O estudo poderia, inclusive, ajudar a retirar algumas empresas do mercado. “A empresa fraudadora viola a livre concorrência e prejudica empresas do mesmo ramo que não fraudam”, afirma Xavier, destacando que o órgão priorizará a cobrança das empresas que entram nos critérios ‘alta’ e ‘média’. Xavier explica ainda que muitas das empresas que estão inscritas como devedoras de valores com alta chance de recuperação apresentam questionamentos judiciais.
A Repórter Brasil questionou quais são as empresas que seriam priorizadas à assessoria de imprensa através da Lei de Acesso à Informação, mas a procuradoria negou a informação sob a justificativa de que a divulgação violaria o sigilo fiscal.
Por que a dívida é tão alta?
A morosidade da Justiça, a complexidade da legislação tributária brasileira e os programas de parcelamento do governo são apontados como os principais fatores que explicam a alta dívida previdenciária no país.
“Não é um crime dever, e grandes grupos empresariais se beneficiam disso, questionam valores na Justiça e ficam protelando a vida inteira,” diz Sônia Fleury, professora da Fundação Getúlio Vargas. “É preciso fazer uma varredura para ver como as empresas utilizam esse mecanismo protelatório na Justiça e tomar decisões no nível mais alto para impedir esse jogo, que só favorece as grandes empresas. Perde o governo e o trabalhador.”
A criação de varas específicas e especializadas poderia agilizar esse tipo de cobrança, segundo o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), Vilson Romero. “A única forma de fazer com que as empresas não fiquem devendo ao INSS seria ter uma estrutura fiscalizadora e cobradora mais eficiente e eficaz, o que chega a ser utopia no Brasil de hoje”, avalia Romero.
Sem a criação dessas varas, o sistema de cobrança continua lento. Uma ação de cobrança da Fazenda Nacional demora cerca de nove anos no Brasil segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2012. A responsabilidade pela cobrança das dívidas é da PGFN. Por outro lado, é dever da Receita Federal fiscalizar se os repasses previdenciários estão de fato ocorrendo, mas o trabalhador pode também conferir se a sua empresa está cumprindo a obrigação dos repasses pedindo, em uma agência do INSS, o extrato CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais).
O coordenador de Previdência do Ipea, Rogério Nagamine, acredita ser necessário melhorar a recuperação dessas dívidas, mas aponta que ela não resolve todos os problemas da Previdência. Por isso, ele defende a reforma proposta pelo atual governo − que estabelece a idade mínima de 65 anos para se aposentar (com pelo menos 25 anos de contribuição) e que, entre outras alterações, muda a base de cálculo do benefício, com redução de seu valor final.
A complexa legislação tributária do país é outro motivo para o alto volume dessa dívida, na avaliação da assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Grazielle David. Hoje, os inadimplentes da União pagam multa sobre a dívida, mas, segundo a especialista, essa multa vem sendo reduzida pela Receita Federal, pela procuradoria e pelo INSS nos últimos anos, em decorrência do parcelamento especial de débitos tributários.
“Principalmente nas grandes empresas, isso gera uma segurança para colocar a inadimplência e a sonegação no planejamento tributário, porque o risco é menor que o bônus. A legislação praticamente incentiva uma empresa a ficar inadimplente ou a sonegar”, afirma, destacando que em outros países as leis costumam ser mais rígidas.
A procuradoria informou, por meio de sua assessoria, que “o que tem prejudicado a cobrança dessas dívidas, em realidade, são os sucessivos programas de parcelamento especial (“REFIS”) editados nos últimos 17 anos. Os devedores têm utilizado esses parcelamentos como meio de rolagem da dívida, migrando de programa de forma sucessiva, sem, contudo, quitar os débitos.”
Em nota, a Caixa Econômica Federal afirmou que todos os pagamentos previdenciários dos seus empregados estão em dia e são realizados sistematicamente dentro do prazo estabelecidos em lei. Segundo o banco, a dívida citada pela reportagem refere-se a “questões que estão sendo discutidas em processos administrativos ou judiciais e não tem relação com a contribuição previdenciária mensal dos seus empregados”. “Os processos discutem, na grande maioria, a interpretação do caráter indenizatório (e não remuneratório) de verbas enquadradas pelo fisco como fato gerador da contribuição”, diz a Caixa.
Fonte: Carta Capital



Diretoria Executiva da CONTEC

Rendimento do FGTS supera a inflação pela primeira vez em dez anos

 
 

A rentabilidade nominal do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FTGS) chegou a 3,61% em 2017 e superou a inflação do período, de 2,95%, o que não ocorria desde 2007. Com isso, os trabalhadores tiveram ganho real de 0,55%. Entretanto, o resultado ainda deve ficar maior após a distribuição de metade do lucro do fundo, que precisa ser feita até 31 de agosto de 2018, conforme determina a legislação. Os cálculos levarão em conta o saldo disponível nas contas individuais até 31 de dezembro de 2017.
Apesar de superar a inflação, a rentabilidade do FGTS foi inferior à da poupança, que, em 2017, chegou a 6,8%.
O rendimento básico do fundo é determinado pela aplicação da Taxa Referencial (TR) mais juros de 3% ao saldo das contas. Em 2016, isso totalizou 5,11%, ficando abaixo da inflação, que alcançou 6,29% naquele ano. Entretanto, após a distribuição de R$ 7,28 bilhões de lucro — feita em 2017 —, os ganhos dos trabalhadores totalizaram 7,14%.
O lucro do FGTS em 2017 será conhecido em julho, quando a Caixa Econômica Federal, responsável por administrar os recursos, publicar o balanço do fundo. No ano passado, 245,7 milhões de contas receberam parte do lucro do FGTS, e a medida beneficiou 88 milhões de trabalhadores.
O economista Alexandre Cabral explicou que o resultado nominal do ano passado foi positivo, mas só ocorreu porque a inflação surpreendeu positivamente para baixo. Essa situação não deve se repetir em 2018, antes da distribuição do lucro, porque a TR será igual a zero. Assim, a rentabilidade básica será de 3%, enquanto as perspectivas do mercado apontam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegará a R$ 3,95% neste ano. “A poupança terá uma remuneração próxima a 4,9%. O trabalhador se beneficiou em 2017, somente a distribuição de resultado pode elevar a rentabilidade do FGTS”, disse Cabral.

Desconhecimento

Apesar da sequência de resultados positivos do FGTS, muitos brasileiros desconhecem que o saldo das contas é remunerado e nem sequer acompanham se os depósitos são realizados ou verificam qual é o montante acumulado ao longo do ano. É o caso de Armin Reinehr Junior, de 24 anos. Após ser demitido, no ano passado, ele precisou de dois meses para sacar os recursos. Junior não sabia o saldo e tinha a expectativa de retirar até R$ 1 mil. Apesar disso, recebeu R$ 4,7 mil, recursos que o ajudaram a se manter durante os seis meses em que ficou sem trabalho.
A vendedora Isadora Garcêz, de 21 anos, também não acompanha os depósitos e o montante que possui no FGTS. Ela disse que as frequentes trocas de emprego impedem que o saldo das contas cresça. No ano passado, sacou R$ 1 mil das contas inativas que possuía e usou os recursos para consumir. “Às vezes, rendia mais, às vezes, rendia menos, dependendo do tempo que eu fiquei nas empresas. Confesso que não acompanho o saldo e não sei quanto tenho acumulado. Mas, se o rendimento foi maior que a inflação, é uma coisa boa”, afirmou.
Os trabalhadores podem consultar os valores depositados nas contas pela internet, no site da Caixa, ou pelo telefone 0800-726-2017. Além disso, é possível buscar atendimento no aplicativo do FGTS para smartphones. Correntistas da Caixa podem acessar o internet banking. O saque do dinheiro, no entanto, só é possível nos casos permitidos por lei, como aposentadoria ou três anos de inatividade na conta. O FGTS pode ser usado também na compra da casa própria.

Fonte: Correio Braziliense

Diretoria Executiva da CONTEC

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Pelo segundo trimestre consecutivo, Santander lidera reclamações ao BC

Banco espanhol foi o “campeão” em queixas de clientes no terceiro e quarto trimestres de 2017
  •  
  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 15/01/2018 15:41 / Atualizado em 15/01/2018 17:50
http://spbancarios.com.br/sites/default/files/styles/destaque_full/public/destaques/_mau9070_0.jpg?itok=fqk17xIu
Foto: Mauricio Moraes
São Paulo – A lucratividade de um banco está longe de ter correlação direta com a satisfação dos seus clientes. É o que prova o caso do Santander, que tem no Brasil a maior fonte de lucro em todo o mundo, mas liderou o ranking de reclamações de clientes ao Banco Central no terceiro e quarto trimestres de 2017 entre as instituições com mais de quatro milhões de clientes.  
No quarto trimestre do ano passado, o banco espanhol registrou índice de reclamações 42,87, seguido pela Caixa (33,24) e Bradesco (25,63). Em quarto está o Banrisul (25,06) e em quinto aparece o Banco do Brasil (24,50).
As reclamações mais frequentes de clientes do Santander foram: irregularidades relativas à integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços disponíveis em internet banking (588); oferta ou prestação de informação a respeito de produtos e serviços de forma inadequada (207); e irregularidades relativas à integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços relacionados a cartões de crédito (191).
“A incomoda liderança do ranking de reclamações do BC demonstra que no Santander – banco que teve lucro líquido superior a R$ 7 bilhões nos primeiros nove meses do ano passado – se pratica uma gestão do midiático Sergio Rial, voltada somente para esse resultado. Desrespeita-se os funcionários, que garantem resultados cada vez mais expressivos, cortando direitos de forma unilateral, o que se agravou após a entrada em vigor da reforma trabalhista. E também desrespeita-se os clientes, que têm atendimento e serviços cada vez mais precarizados, tudo em nome de lucros cada vez maiores. A responsabilidade por tamanha insatisfação é exclusiva da direção do banco e sua ganância sem limites”, enfatiza a diretora executiva do Sindicato e bancária do Santander, Maria Rosani.    
Índice – Para calcular o índice de reclamações, o BC divide o número de reclamações pelo de clientes e multiplica o resultado por 1.000.000. Quanto maior o índice, pior a classificação da instituição. Antes publicado a cada dois meses, o ranking passou a ser trimestral neste ano.

Fonte: http://spbancarios.com.br/01/2018/pelo-segundo-trimestre-consecutivo-santander-lidera-reclamacoes-ao-bc

Bancários cobram mais garantias na reestruturação do BB

Empresa não forneceu números completos e tampouco assegurou salário para os caixas
  • Contraf-CUT
  • Publicado em 15/01/2018 18:04 / Atualizado em 15/01/2018 18:08
http://spbancarios.com.br/sites/default/files/styles/destaque_full/public/destaques/bancarios-cobram-mais-garantias-aos-funcionarios-da-reestrut_86c6257d0b9e319369e4962b9d257099.jpg?itok=iffgFLTC
Foto: Contraf-CUT
São Paulo – Na primeira rodada de negociação entre a Contraf-CUT e o Banco do Brasil, os Sindicatos cobraram do banco os números detalhados da reestruturação, como quantidade de vagas e cortes por local. A Comissão de Empresa já havia solicitado os números assim que o banco anunciou a reestruturação, no dia 5 de janeiro. O BB informou que o pedido está no comitê patrocinador da reestruturação e ainda não tem os números para repassar.
Os Sindicatos afirmam que ao não fornecer os números gerais, o banco trata uma grande restruturação como situações locais, o que não acontece. Parece que é simplesmente má vontade e dificuldade gratuita para ajudar na solução dos problemas, afirma a Comissão de Empresa dos Funcionários.
Na sexta-feira 12, os sindicatos apontaram os problemas surgidos em vários locais e as dificuldades para realocação dos funcionários. O BB foi cobrado para apresentar os critérios utilizados para o redimensionamento das agências, uma vez que muitos lugares com dificuldade de atendimento e más condições de trabalho permaneceram com o mesmo número de funcionários.
Segundo o BB, o banco ajustou a compatibilidade de oferta de atendimento com a capacidade de atendimento em cada local. Onde tem menor capacidade fez aumento – onde havia capacidade de atendimento acima, fez ajuste para menor.
O banco se comprometeu a receber para análise alguma situação que pode ter sido mal ajustada.
VCP para os caixas ou manutenção da gratificação – A Comissão de Empresa cobrou do banco resposta quanto ao pedido de manutenção da gratificação da comissão de caixa aos funcionários que perderam o cargo.
No caso dos funcionários com função gratificada ou comissionada, será garantido quatro meses de remuneração caso não seja realocado. Para os caixas, há um entendimento do BB de que como não é uma função, é apenas gratificação de caixa, esse benefício não é concedido automaticamente.
O banco afirmou que está analisando a solicitação dos sindicatos, para que seja mantida a remuneração dos caixas por pelo menos 4 meses, assim como na restruturação do final de 2016 e início de 2017.
Para Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, a prorrogação da gratificação para caixas é de extrema importância e se justifica por ser o grupamento mais atingindo nesta reestruturação. “O corte de 1200 caixas é traumático e o banco precisa entender que se tratam de pessoas que buscaram ascensão profissional dentro da empresa e isso foi tirado numa canetada.”
Priorização dos caixas nas concorrências – Foi cobrado do banco que os caixas tenham priorização de fato nas concorrências para outros cargos. Além na priorização no TAO - Sistema de Recrutamento, foi solicitado que de fato haja orientação para normação dos caixas em outros cargos que tiveram vaga, de forma minimizar o grande corte nas funções.
O banco informou que não tem resposta quanto a priorização no sistema, mas que tem orientado os gestores a darem atenção aos pedidos de realocação de caixas em outras funções próximas, como as de assistente ou atendente de CABB.
Não haverá remoção compulsória para outro município – O Banco do Brasil garantiu que, embora prevista inicialmente, não haverá remoção compulsória de funcionários fora do mesmo município, no caso de não se ajustar o excesso de escriturários. Essa medida veio em resposta ao pedido para que não se tenha nenhuma remoção compulsória, mas o banco avalia que poderá ser necessária, ainda, alguma remoção no mesmo local.
Módulo avançado dos gerentes de relacionamento será mantido – Foi garantido que os gerentes de relacionamento que estiveram no módulo avançado da função e tiverem que mudar para cargo de gerente de relacionamento equivalente, será mantido o módulo avançado da função. Isso permitirá mais mobilidade nas nomeações sem causar prejuízo aos funcionários.
Indicação de quem está em excesso – O Banco do Brasil afirmou que não orientou nenhuma indicação de quem está em excesso nas unidades. O BB afirma que no primeiro momento a movimentação deverá ser espontânea e a recomendação é que não haja realocações compulsórias. Mas sindicatos por todo o país têm apurado o contrário. Os casos fora do padrão deverão ser denunciados aos sindicatos.
Fechamento do Cenop e abertura da Cabb em Recife – Foram apontadas diversas situações específicas que estão dificultando realocação dos funcionários do Cenop na nova CABB que será aberta.
Com relação a alguns cursos e trilha de encarreiramento, foi assumido o compromisso de verificar os problemas e encaminhar a solução prontamente para aqueles funcionários. As questões de concorrência ou saída para outras unidades e manutenção da concorrência para a CABB, o a Gepes Recife foi autorizada a liberar os impedimentos de sistema através de pedidos que serão analisados em cada caso.
Salários dos caixas – O banco não forneceu respostas concretas sobre a manutenção dos salários dos caixas e a garantia de realocação de todos os funcionários atingidos. Assim como na reestruturação ocorrida há um ano, o banco não reserva recursos para manter os salários das pessoas e simplesmente trata seus funcionários como números.
Se a empresa acha que a reestruturação constante é para ganhar produtividade, os representantes dos trabalhadores afirmam que as pessoas e famílias devem ser preservadas. E a manutenção dos salários na reestuturação é o primeiro passo para aliviar o sofrimento de quem perdeu o cargo ou função.
Nova rodada de negociação será agendada nos próximos dias, em data a definir entre a Contraf-CUT e o Banco do Brasil.

Fonte: http://spbancarios.com.br/01/2018/bancarios-cobram-mais-garantias-na-reestruturacao-do-bb