terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Aumento abusivo nos planos de saúde do Santander causa revolta

Bancários estão indignados com reajuste muito acima da inflação; esse foi apenas um dos motivos das paralisações deflagradas pelo Sindicato em 20 de dezembro e 31 de janeiro
  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 05/02/2018 19:32 / Atualizado em 05/02/2018 19:48
Arte: Marcio Baraldi
São Paulo – Dentre os vários prejuízos impostos pela direção do Santander aos bancários nos últimos meses, um dos que está causando mais indignação é o aumento abusivo na coparticipação dos procedimentos e consultas médicas vinculadas ao plano de saúde oferecido pelo banco. Sem qualquer negociação com o Sindicato, a empresa determinou reajuste de até 20% para quem aciona o convênio médico.
Esse aumento muito acima da inflação (2,95% em 2017) está gerando grande indignação entre os bancários e foi um dos motivos que levou o Sindicato a deflagrar paralisações em diversos centros administrativos e centenas de agências, no dia 20 de dezembro, e nos call centers, nesta quarta-feira 31.
“Estou muito chateada com isso. Mês passado fiz exames ginecológicos, foram vários e este mês tive um desconto de ‘apenas’ R$ 450. Isso é muito para o meu salário total”, queixou-se uma bancária.
“Uma vergonha. No mês de novembro tive um desconto de mais de R$ 800 de coparticipação, e mais R$ 200 de mensalidade do plano, simplesmente fiquei sem salário. Tinha exames e consultas que fiz no mês de junho e descontaram em novembro. Não adianta reclamar. Abri várias reclamações e o convênio disse que estão corretos em cobrar serviços retroativos”, conta outra funcionária.
“Nesses últimos meses só estou trabalhando pra pagar o convênio, pois com todos os meus problemas de saúde, não tem como não usar o convênio”, ponderou outro.
“Não podemos ficar doentes. Somos robôs”, resumiu outro. “Se ficar doente, é melhor partir para o SUS”, opina um colega.
“É uma desumanidade um banco que lucrou 35% a mais em um ano impor um reajuste tão alto aos seus funcionários que se matam de trabalhar e perdem a saúde diante das metas abusivas e do assédio moral praticados a fim de obter esse resultado astronômico”, protesta Maria Rosani, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados do Santander e secretária executiva do Sindicato.
Avalanche de prejuízos – O reajuste abusivo na coparticipação dos procedimentos e consultas médicas é apenas um dos motivos que levou Sindicato e trabalhadores a deflagrarem paralisações em dezembro e janeiro.
Escorado na reforma trabalhista patrocinada pelo setor empresarial e promovida pelo governo Temer e Congresso Nacional, a direção executiva do Santander impôs acordo de horas extras e fracionamento de férias mediante acordo individual. A nova legislação permite que esses dois temas sejam “negociados” diretamente entre patrão e funcionário – sem acordo coletivo –, em uma correlação desigual de forças, já que o funcionário que não aceitar os termos impostos corre o risco de perder o emprego.
Horas extras – Os executivos do Santander estabeleceram a possibilidade de prorrogar em até duas horas a jornada de trabalho, sendo que a compensação dessas horas extras pode ser feita em até seis meses. Essas novas normas foram impostas aos bancários por meio da assinatura eletrônica em um termo individual, no Portal RH.
Essa imposição afronta o artigo 7º da Constituição Federal que determina: o acordo de compensação de horas só pode ser feito por meio de acordo ou convenção coletiva mediante participação do sindicato.
O acordo coletivo dos funcionários do Santander vigente garante o prazo de um mês para compensação da hora extra, com acrescimento de 50% sobre o tempo a mais trabalhado. Ou seja, o bancário que trabalhasse uma hora além da jornada regular poderia compensar uma hora e meia no prazo de 30 dias. Caso a compensação no prazo de um mês não fosse possível, o período a mais era creditado no salário, com acréscimo de 50% em relação a hora normal de serviço, e com reflexos nas demais verbas salariais, como FGTS, férias e 13º.
A extensão do prazo de compensação para seis meses praticamente impossibilita que o prazo a mais trabalhado se converta em remuneração e reflexos nas demais verbas salariais. Além disso, a mudança também acabou com o acréscimo de 50% para compensação.
Fracionamento das férias – Outra alteração determinada pela reforma trabalhista do governo Temer é a negociação direta entre funcionário e empregador com relação às férias, que poderão ser fracionadas em até três períodos, desde que nenhum deles seja menor do que cinco dias. Na prática, o chefe irá determinar como e quando as férias serão gozadas.
Salário e décimo terceiro – Além dessas duas mudanças, o presidente do banco, Sérgio Rial, apenas comunicou que a partir de março de 2018 o salário passará a ser creditado no dia 30, e não mais no dia 20. E o 13º salário será pago em maio e dezembro, e não mais em março e novembro.
“Não aceitaremos que a direção executiva do Santander imponha essas mudanças prejudiciais sem antes negociá-las com o Sindicato, que é o representante legítimo dos trabalhadores. Os protestos continuarão até que o banco aceite sentar à mesa para rever esses temas”, afirma Maria Rosani.
fonte: http://spbancarios.com.br/02/2018/aumento-abusivo-nos-planos-de-saude-do-santander-causa-revolta

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Temer terceiriza pressão para aprovar reforma da Previdência

Desesperado por votos, governo manda empresários pressionar deputados a aprovar o fim da aposentadoria para milhões de brasileiros

Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil
O golpista e ilegítimo Michel Temer pediu socorro aos empresários para conseguir aprovar a reforma da Previdência ainda no primeiro semestre deste ano. Ele repassou uma lista com quase 90 deputados indecisos que deverão ser pressionados pelos representantes do mercado a votar a favor da medida.
Temer se apropriou da estratégia usada com sucesso pelo movimento sindical brasileiro para pressionar parlamentares e impedir a aprovação de mais esse retrocesso. A ação começou desde que a proposta de reforma foi anunciada e popularizou o lema “Se votar, não volta”, uma referência à eleição deste ano, quando muitos deputados brigarão para se reeleger. 
O novo texto do projeto de reforma da Previdência está previsto para entrar na pauta de votação da Câmara dos Deputados a partir do dia 19 de fevereiro. A estratégia de Temer, revelada pela agência 'pró-mercado' Reuters, demonstra, mais uma vez, que o governo golpista e seus aliados no Congresso Nacional estão pouco se importando com a vontade e a opinião da maioria da população brasileira.
Clique aqui e veja matéria completa. 
Fonte: CUT BRASIL

CUT, demais centrais e juízes tentam barrar retrocessos no TST

Associações de juízes e procuradores do trabalho entraram com petição contra revisão de súmulas marcada pelo presidente do TST para esta terça-feira
  • Andre Accarini, da CUT
  • Publicado em 05/02/2018 19:13 / Atualizado em 05/02/2018 19:13

Ives Gandra (à dir.) com ministro de Temer, Henrique Meirelles; Gandra tenta validar reforma que prejudica trabalhadores
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
São Paulo – A batalha da CUT e demais centrais contra a legalização de pontos inconstitucionais da Lei 13.467/2017 (reforma trabalhista) ganhou o reforço de entidades como a Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), ANPT (Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho) e Abrat (Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas).
As entidades encaminharam na segunda-feira 5 uma petição ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) pedindo o cancelamento da sessão marcada pelo presidente do Tribunal, Ives Gandra Martins da Silva Filho, para esta terça-feira 6, com o objetivo único de revisar súmulas e, com isso, validar pontos da nova lei trabalhista que estão sendo questionados por serem inconstitucionais. A petição deve ser avaliada por todos os ministros do Tribunal.
O secretário de Assuntos Jurídicos da CUT, Valeir Ertle, explica que tem sido boa a aceitação pelos ministros dos argumentos das centrais e demais entidades contra a revisão. Na sexta-feira 2, um ofício assinado pela CUT e demais centrais sindicais pedindo o cancelamento da sessão já havia sido encaminhado ao TST.
Sobre a argumentação para o cancelamento, o dirigente diz que “a jurisprudência para a elaboração das súmulas é algo que acontece de baixo para cima. É necessário tempo para que as Varas e Tribunais julguem uma série de processos trabalhistas porque é justamente isso que cria subsídios para novas resoluções.”
Valeir explicou que é esse o significado da palavra súmulas. São documentos elaborados com base em decisões sobre o direito do trabalho que adquirem força de lei em casos não previstos na CLT.
Ao marcar a revisão das súmulas, antes que haja um histórico de decisões judiciais sobre reclamações trabalhistas com base na nova lei, Gandra Filho quer, no tapetão, tornar a nova lei constitucional.
“É um absurdo, um golpe de Gandra contra os direitos da classe trabalhadora”, afirma Valeir.
O dirigente considera a atitude de Gandra como uma “maneira de colocar uma mordaça em juízes do trabalho”, já criando uma jurisprudência, de acordo com os retrocessos da nova lei. “Como um juiz vai poder analisar um caso, se  sequer chegou um processo no seu tribunal?”
Mas, mesmo com a petição, há o risco de a sessão acontecer nesta terça 6 e “nós estamos em uma frente de luta contra essa revisão”, diz Valeir Ertle.
“Nossos advogados estão articulando politicamente junto aos ministros do TST, mas se ainda assim ocorrer a sessão, esperamos que prevaleça o bom senso em não alterar súmulas e que sejam preservados os direitos dos trabalhadores”, diz o secretário de Assuntos Jurídicos da CUT.
A CUT e demais centrais sindicais se reúnem na terça-feira, na sede da Nova Central, em São Paulo, às 11h, para traçar estratégias para o caso de as súmulas serem revisadas.
fonte: http://spbancarios.com.br/02/2018/cut-demais-centrais-e-juizes-tentam-barrar-retrocessos-no-tst

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Sindicato reivindicou e Participação nos Lucros será paga aos bancários no dia 9

Limite para pagamento é 2 de março, mas Sindicato reivindica que todos os bancos façam a antecipação
Foto: Agência Brasil
São Paulo – O Bradesco foi a primeira instituição financeira a atender à solicitação feita pelo Sindicato para que antecipasse o pagamento da segunda parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados). O banco informou na quinta-feira 1 que o pagamento será efetuado no dia 9 de fevereiro.
De acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho, as instituições financeiras têm até 2 de março para fazer esse crédito. Mas com o início da temporada de publicação dos balanços dos resultados de 2017, já é possível calcular os valores finais da Participação nos Lucros e Resultados.
“Estamos reivindicando de todos. Os bancos podem pagar antes de março e seria muito bom para os bancários, quem sabe até aproveitar o feriado do Carnaval com o dinheiro já na conta”, afirma Ivone Silva, presidenta do Sindicato. 
A PLR deve ser paga no valor equivalente ao salário de setembro de 2017, sendo, ao valor resultante, acrescido a importância de R$ 2.243,58, limitado a R$ 12.035,71, ou a distribuição mínima de 5% do lucro líquido, até o limite de 2,2 salários ou R$ 26.478,75.  
 
O Bradesco informou ao Sindicato que, em face do lucro obtido em 2017, será adicionado proporcionalmente, a cada funcionário, valor complementar até os limites estabelecidos na Convenção Coletiva de Trabalho, de forma que o total de PLR distribuída será equivalente a 5% do lucro líquido, abatendo-se a parcela paga em 15 de setembro do ano passado. 
Cada bancário receberá parcela adicional complementar da PLR no valor de R$ 2.543,58 que, somada à parcela paga em setembro de 2017, também de R$ 2.543,58, totalizará R$ 4.478,16, atingindo o teto estabelecido, majorado para além da regra básica do adicional. 
É conquista - Os bancários foram a primeira categoria a conquistar o direito à PLR previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), em 1995. A mobilização conjunta ao lado do Sindicato, na Campanha Nacional Unificada de 2007, garantiu o valor adicional à PLR. Além disso, desde 2013, os trabalhadores têm direito à PLR sem IR para determinados valores e, a partir destes, descontos progressivos.

Fonte: SP Bancários

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Santander lucra quase 10 Bi em 2017

A marca, que é 36% maior que 2016, representou 26% do lucro global que foi de € 6,6 bilhões

No mesmo dia em que os bancários do Santander realizam manifestações por todo o Brasil, o banco anuncia um Lucro Líquido Gerencial de R$ 9,953 bilhões, em 2017. Os números representam crescimento de 35,6% em relação a 2016. Em relação ao 3º trimestre de 2017 o crescimento foi de 6,4%. O retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado (ROE) ficou em 16,9%, com crescimento de 3,6 p.p. em doze meses. O lucro obtido no Brasil representou 26% do lucro global que foi de € 6,6 bilhões (com crescimento de 7 % em doze meses).
Clique aqui e veja os destaques do Dieese completos.
“O Santander teve um lucro exorbitante no Brasil, o que fez com que o país passasse a responder por 26% do lucro global do banco espanhol. O problema é que é obtido a partir do massacre dos trabalhadores, que não têm o devido reconhecimento por sua dedicação”, afirmou Mario Raia, secretário de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
Os trabalhadores não são os únicos responsáveis por esse lucro, já que a população também sofre. A receita com prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias cresceu 17,7% em doze meses, totalizando R$ 15,6 bilhões. Em contrapartida, as despesas de pessoal mais PLR subiram 4,5%.
“Os clientes também sofrem com tarifas caras e altas taxas cobradas pelo banco, que vê seu lucro aumentando às custas da exploração dos clientes, que pagam caro por serviços que, muitas vezes, são realizados por eles próprios”, disse Rita Berlofa, presidenta mundial da UNI Finanças.
A Carteira de Crédito Ampliada do banco teve crescimento de 7,8% em doze meses e atingiu R$ 347,907 bilhões. As operações com pessoas físicas cresceram 18,3% em relação a 2016 e 5,7% no trimestre, chegando a R$ 108,1 bilhões, impulsionado por cartão de crédito (18,1%), crédito consignado (36,7%) e crédito rural (52,9%). A Carteira de Financiamento ao Consumo, originada fora da rede de agências, somou R$ 41,9 bilhões ao final de 2017, com crescimento de 20,4% em doze meses. Do total desta carteira, R$ 32,387 bilhões referem-se a financiamentos de veículos para pessoa física, apresentando aumento de 21,4%.  
holding encerrou o 4º trimestre de 2017 com 47.404 empregados, com abertura de 24 postos de trabalho em relação a 2016. Em relação ao 3/] trimestre de 2017, o saldo foi de 670 postos abertos. O número de agências cresceu em uma unidade em doze meses.
Fonte: Contraf-CUT

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O apetite insaciável de Sérgio Rial, presidente do Santander

Agora que os juros da dívida pública não são mais tão atrativos, CEO do banco não esconde interesse em avançar sobre fatias de mercado onde as instituições públicas sempre atuaram

Contraf-CUT
Contraf-CUT
Mais uma vez, o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, revela o interesse dos bancos privados na redução da função do Estado na economia a fim de aumentarem ainda mais seus lucros. Função essa que nunca interessou a essas instituições, porque sempre preferiram lucrar aplicando em papéis da dívida pública, atrelada à taxa Selic, que estava em 14,25% ao ano, e agora se encontra a 7%.
Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, o CEO cobrou uma atuação ainda menor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que os bancos privados enfrentem ainda menos concorrência no já concentrado – e por essa razão, com juros estratosféricos – setor bancário brasileiro.
“espero (...) que o “S” [social] seja muito maior do que o “E” [econômico] nos próximos dois anos. (...) Dando um exemplo concreto, país desenvolvido não é o que tem aeroporto novo, é o que tem aeroporto novo e saneamento básico resolvido (...). Esse é um exemplo concreto do “S” em que as empresas poderiam ter todo o interesse, numa área como o saneamento.”
Cabem as perguntas: por que esse interesse repentino do Santander em financiar obras sociais? E por que esses bancos nunca investiram nessas obras?
O próprio Rial responde: “A Selic a 7% ao ano posiciona os bancos de forma muito melhor para serem parte da solução, e não, como até aqui, para estarem ausentes da solução. Porque é impossível você viabilizar qualquer projeto quando a Selic está em 14%. A conta não fecha. (...) Veja o crédito rural. O que acontecia com ele com a Selic a 14% ao ano? Ele era subsidiado a 9% ou 10%. Com a Selic a 7%, isso deixa de fazer sentido. E os bancos privados podem agora fazer parte do processo de financiamento da agricultura, no qual até então era impossível competir.”
“Essa declaração comprova que os bancos privados nunca quiseram ajudar no desenvolvimento econômico e social do país, porque era muito mais lucrativo aplicar nos juros da dívida pública”, afirma Maria Rosani, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados e diretora executiva do Sindicato.
“E se a taxa Selic voltar a subir? Os bancos privados continuarão financiando esses projetos? Por isso a Caixa Econômica Federal [crédito para a casa própria], o Banco do Brasil [crédito rural] e BNDES [crédito para indústria e infraestrutura] são fundamentais. Onde os bancos privados não atuam, entra o setor público”, acrescenta a dirigente.
Mas agora que a taxa Selic está baixa e os bancos não podem mais lucrar como antes com a dívida pública (que remunera com base na taxa Selic), essas instituições privadas voltam a atenção para a fatia de mercado que esses bancos públicos sempre supriram.  
FGTS
Rial também mais uma vez demonstrou interesse em colocar as mãos no FGTS dos trabalhadores brasileiros. “Por que não levar isso a uma proporção maior ainda? Por que não dar a cada cidadão o direito de gerir, ele mesmo, o seu recurso de FGTS?”, indagou o CEO.
Rial talvez tenha se esquecido que o FGTS financia justamente obras de infraestrutura como habitação, mobilidade urbana e saneamento básico.
Ou seja, Rial quer que os recursos do FGTS, hoje administrados pela Caixa (um banco público), sejam geridos pelos bancos privados. 
Saneamento básico e habitação
Ao mesmo tempo, Rial defende que as obras de saneamento também sejam financiadas pelas instituições privadas; e ainda abraça a ideia da privatização das companhias públicas que ofertam esse serviço: “E temos ainda a resistência de alguns estados e municípios a privatizar [empresas de saneamento]”.
A água é um recurso natural, essencial e esgotável, imprescindível ao ser humano. Portanto, a gestão da água ultrapassa o caráter financeiro e econômico e deve ser vista como direito do ser humano, e não como mercadoria. Por essa razão, o setor de saneamento não pode ser considerado como um ambiente de negócios, como almeja o setor privado.
Capitais europeias como Berlim e Paris estão justamente reestatizando suas companhias de saneamento. Mas, no Brasil, o governo Temer caminha na contramão, e empreende um amplo Programa de Parcerias de Investimento (PPI), que abrange diversas companhias estaduais de saneamento, e poderá representar uma ameaça à universalização desses serviços no Brasil.
A mesma linha de raciocínio pode ser aplicada no crédito imobiliário, hoje 70% nas mãos da Caixa, financiados com recursos do FGTS, a juros muito mais baixos do que os ofertados pelos bancos privados.
Se o FGTS cair nas mãos dos bancos privados, essas instituições poderão cobrar o quanto quiserem na oferta do crédito imobiliário. E sem a concorrência da Caixa.
“É fácil chegar ao objetivo de Rial: que as coisas mudem para continuar como estão e os bancos privados continuem lucrando à custa da sociedade. Ou, como ele mesmo disse na entrevista, ‘tirar os obstáculos’, o que pode ser entendido como a eliminação dos bancos públicos”, finaliza Maria Rosani.
Fonte: SPBancários

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Sindicato pelo fim do descomissionamento arbitrário

Enquanto a Caixa inventa cada vez mais estratégias para descomissionar empregados, Sindicato cobra do banco o fim da prática e ingressou com ação na Justiça para defender direito de incorporação da remuneração de função
    Redação Spbancarios
  • Publicado em 24/01/2018 19:11 / Atualizado em 24/01/2018 19:15
Arte: Freeimages
São Paulo – A Caixa inventa cada vez mais novas maneiras de descomissionar de forma arbitrária seus empregados. Entre elas estão a verticalização; a exigência de CPA-20 para todos os gerentes de carteira, o que não ocorre nos demais bancos;  e os motivos 952 (comprometimento de fidúcia necessária ao exercício da função), 950 (fraude) e 8 (critério de gestão), que se alinham com a verticalização, objetivando reduzir o número de funções. Entretanto, o Sindicato e demais entidades representativas têm combatido arduamente o descomissionamento arbitrário em diversas frentes. 
Foram enviados no final de janeiro dois ofícios à Caixa, por meio da Contraf-CUT, cobrando, no âmbito da reestruturação, os números de descomissionamentos nas concentrações e áreas meios, além de reivindicar que seja suspensa a exigência de CPA-20 para gerentes de relacionamento. 
“O que vemos hoje na Caixa é um grande processo que objetiva o descomissionamento em massa, arbitrário, tanto nas agências, como em concentrações e áreas meio. A mais nova estratégia é a exigência de CPA-20 para gerentes de carteira. Um completo absurdo, já que os demais bancos não possuem essa prática”, critica o diretor do Sindicato e empregado da Caixa, Dionísio Reis.
Incorporação - O dirigente lembra que, além de descomissionar arbitrariamente os seus empregados, a Caixa revogou o RH-151, que garantia a incorporação de função após mais de 10 anos de cargo. 
“Entramos, ainda em 2017, com uma ação para incorporar esse direito ao contrato de trabalho dos empregados, garantindo assim a estabilidade remuneratória aos trabalhadores e o respeito à carreira destes bancários”, enfatiza Dionísio. 
Conquista – Após a Caixa atender reivindicação da representação dos empregados em mesa de negociação, os trabalhadores descomissionados pelo motivo 952 (antigo 950) têm garantia de manutenção do exercício e pagamento da função por ao menos 60 dias e a eliminação da possibilidade de aplicar a dispensa na instauração da análise preliminar.
Antes dessa conquista, a chefia poderia apresentar um apontamento subjetivo para o descomissionamento, arbitrário, e a perda de função se dava de forma sumária, sem os 60 dias de estabilidade no cargo. Após derrubada essa prática na Campanha Nacional 2016 e no Grupo de Trabalho que discutiu o tema em 2017, ficou garantido por 60 dias o exercício do cargo e o pagamento, devendo o empregado buscar apoio do seu sindicato, e, se a chefia apresentar os mesmo apontamento no prazo de 270 dias, o empregado aí sim é descomissionado.
“Apesar da intransigência do banco em manter a arbitrariedade e subjetividade nas dispensas de função, tivemos uma conquista importantíssima do movimento sindical em benefício dos empregados ameaçados pelo descomissionamento arbitrário. Ela garante tempo para que o trabalhador se defenda e busque reverter a perda da função, mantendo o exercício do cargo e o pagamento. Para isso, no intuito de reverter o descomissionamento, é fundamental que o bancário procure o Sindicato no primeiro apontamento de perda de função”, alerta o diretor do Sindicato, reforçando que foi possível reverter a perda de função de diversos trabalhadores que recorreram à entidade. 
 Fonte: SP Bancários

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Abertura de processos Gedip em meio ao PAQ cheira a patifaria

'Cafarocchio' e sua trupe aprontam mais uma das suas e pedem informações sobre supostas fraudes ou falhas em serviços justamente durante nova reestruturação, o que pode resultar em descomissionamentos e redução salarial. Sindicato já cobrou banco
  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 23/01/2018 17:25 / Atualizado em 23/01/2018 17:42
Arte: Márcio Baraldi
São Paulo – Em meio a um novo processo de reestruturação promovido pelo Banco do Brasil, intitulado Programa de Adequação de Quadros, diversos bancários receberam, na sexta-feira 12, pedido de informação sobre supostas fraudes ou falhas em serviços ocorridos em 2013 (Processos Gedip). O Sindicato recebeu a confirmação de que o banco exigiu da Rerop – área de segurança responsável pelo procedimento – a abertura, a toque de caixa, de todos os processos, necessitando inclusive de realização de horas extras. Segundo funcionários da área, nunca houve tanta urgência nas demandas e sobrecarga de trabalho.
“A empresa pode investigar suspeitas de fraudes e falhas cometidos pelos seus funcionários. O que nos preocupa é a forma, o momento em que ocorreram e o público envolvido, pois indica uso político da ferramenta”, ressalta Silvia Muto, diretora do Sindicato e bancária do BB.
De acordo com a dirigente, os pedidos foram feitos de forma massificada e voltados aos bancários lotados nas redes de atendimento.
“O momento não poderia ser menos oportuno: em meio a uma reestruturação que demanda nomeações em outros prefixos. Caso o banco não acate a resposta do colega sobre a questão investigada, o processo segue para nova fase, o que implica na impossibilidade de nomeação para cargos”, avalia Silvia.
O público atingido pelos pedidos de informações sobre possíveis fraudes ou falhas envolve o segmento de gerentes, caixas e assistentes da área negocial. Justamente o público alvo da restruturação, e que, conforme instruções do banco, necessitam de concorrência ou nomeação para conseguir o deslocamento para nova unidade.
“Embora o banco tenha salientado que a restruturação não irá gerar descomissionamentos, existe um clima de terror e insegurança nos locais de trabalho”, alerta a dirigente. “Muitos não acreditam nas declarações do banco de que não serão afetados, pois vários colegas não foram nomeados acompanhando suas carteiras, como prometido”, acrescenta.
Para Silvia, a abertura dos processos, nesse momento, não “cheira bem”. “Parece mais uma das traquinagens do ‘Caffarochio’: inventar impedimentos para nomear colegas, criando justificativas para não nomeação e consequente redução de salários.”
O Sindicato está atento à nova reestruturação do BB e todas as medidas que podem lesar os funcionários. Caso o bancário se sinta prejudicado, deve entrar em contato por meio dos dirigentes, pela Central de Atendimento (3188-5200) ou através do WhatsApp (11 97593-7749). O sigilo é garantido.
Resposta do BB – Procurada pelo Sindicato, a Dipes informou que não se trata de processo orquestrado pelo banco e que a abertura dos processos ocorreu de forma regulamentar. Questionada sobre a possibilidade de a ação acarretar em prejuízo ao bancário, alegou que caso ocorram problemas nas nomeações e realocações dos bancários, a situação será avaliada e solucionada pontualmente.
fonte: http://spbancarios.com.br/01/2018/abertura-de-processos-gedip-em-meio-ao-paq-cheira-patifaria

Usuários se mobilizam contra mudanças no Saúde Caixa

Trabalhadores fazem abaixo-assinado contra novo modelo de custeio; julgamento de ação judicial que barra reajuste indevido será marcado na próxima semana
Fenae, com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 23/01/2018 15:16 / Atualizado em 23/01/2018 15:23
http://spbancarios.com.br/sites/default/files/styles/destaque_full/public/destaques/saude_caixa_teto_de_gastos_0.jpg?itok=cXMlOQEu
Arte: Contraf-CUT
Brasília - Um movimento espontâneo surgido entre os usuários do Saúde Caixa ganhou força nesta semana. Em apenas dois dias, o abaixo-assinado virtualpromovido pela aposentada Elisabete Moreira, de Sorocaba (SP), reuniu cerca de 10 mil assinaturas pedindo a manutenção do modelo de custeio e a agilidade no atendimento das demandas dos beneficiários na central de atendimento. A iniciativa se soma à defesa que a Fenae vem fazendo nas redes sociais e na Justiça. Na terça-feira 23, será marcado o julgamento da ação ajuizada pela federação, em conjunto com a Contraf-CUT e sindicatos de todo o país, para barrar a tentativa indevida de reajuste apresentada pela Caixa em janeiro do ano passado.
Em 26 de janeiro de 2017, a Caixa divulgou comunicado informando reajustes nas contribuições que entrariam em vigor a partir de 1º de fevereiro. O valor das mensalidades passaria de 2% para 3,46% da remuneração base, o percentual de coparticipação seria elevado de 20% para 30%, e o limite de coparticipação anual de R$ 2.400 sofreria reajuste para R$ 4.209,05. Suspenso no dia 31 de janeiro por força da liminar da Fenae, o aumento que infringia o Acordo Coletivo de Trabalho vigente até agosto de 2018, será julgado na próxima semana.
No novo estatuto da Caixa, recentemente divulgado, a participação do banco no custeio da assistência à saúde passa a ser limitado ao percentual de 6,5% da folha de pagamento. O cálculo do teto no novo modelo inclui os gastos fiscais e administrativos, que no modelo atual são de responsabilidade exclusiva da Caixa.
“O atual modelo de custeio, sem teto, no qual a Caixa é responsável por 70% de todo o custo assistencial está previsto no Acordo Coletivo vigente até agosto de 2018. Impor esse teto de forma arbitrária significa infringir todo o processo de negociação ocorrido entre a empresa e seus empregados”, afirma a diretora de Saúde Previdência da Fenae, Fabiana Matheus.
A diretora da Fenae reforça a importância da vitória obtida na Justiça contra a tentativa de reajuste e convoca todos os usuários a se mobilizarem para reverter as mudanças no modelo de custeio.
“Com a liminar, conseguimos evitar a quebra do acordo coletivo ao longo de 2017 e agora vamos lutar para tornar essa vitória definitiva. É fundamental que todos os usuários do Saúde Caixa também se mobilizem, como fez a Beth, e mostrem que têm consciência de que o plano de saúde é uma das maiores conquistas da categoria”, afirma Fabiana.

Fonte: http://spbancarios.com.br/01/2018/usuarios-se-mobilizam-contra-mudancas-no-saude-caixa